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13 de maio de 2013

Beyoncé: A Vida Não é Apenas um Sonho

Beyoncé Knowles em BEYONCÉ: A VIDA NÃO É APENAS UM SONHO (Beyoncé: Life is But a Dream)

Há poucos meses, Beyoncé Knowles esteve em evidência na imprensa cor-de-rosa graças à divulgação de fotos, digamos, pouco glamourosas de sua apresentação no Super Bowl, nas quais surgia em poses estranhas e fazendo caretas - o que poderia ocorrer com qualquer pessoa que se entregasse a coreografias enérgicas como as dela. Por um lado, a cantora virou motivo de chacota nas redes sociais, virando até mesmo meme; por outro, foi tachada de arrogante depois que sua assessoria solicitou que algumas fotos "menos lisonjeiras" fossem retiradas do ar - o que acabou disseminando ainda mais as imagens.

Por essas e outras superexposições cruéis, é perfeitamente compreensível que artistas como Beyoncé, Katy Perry e Justin Bieber decidam produzir documentários cujo principal objetivo é comprovar que, por trás dos grandes astros, há seres humanos como eu ou você. E era justamente este o maior mérito de obras como Justin Bieber: Never Say Never e Katy Perry: Part of Me, embora eu não descarte a possibilidade de que parte dos esforços de humanização dos artistas naqueles filmes tenham sido encenados. Entretanto, nos documentários sobre Bieber e Perry, essa possível encenação era suficientemente convincente - o que não ocorre em Beyoncé: A Vida Não é Apenas um Sonho.

Dirigido por Ed Burke e pela própria Beyoncé, o documentário falha, antes de mais nada, por carecer de uma estrutura clara e, assim, saltar de um tema para o outro sem muita lógica interna, seguindo a vontade dos inexperientes realizadores (Beyoncé estreia na função, ao passo que a carreira de Burke foi inteiramente construída em torno de shows da própria cantora). Assim, embora coloque a gravidez da artista como fio condutor da narrativa (da mesma forma que o divórcio de Katy Perry e Russell Brand movia Part of Me), o filme reúne um amontoado desconexo de mensagens que Beyoncé pretende passar para o público: ora sua relação com a fama, ora sua força como empresária de si mesma e ora seu amor incondicional pelo marido, Jay-Z, e pela filha.

Entretanto, o maior pecado de Beyoncé: A Vida Não é Apenas um Sonho reside na sensação de que nunca adentramos de fato na intimidade da cantora. Embora conte com imagens de arquivo e de bastidores, o filme parece vazio e distante - e até o conforto da cantora durante os depoimentos centrais, quando surge em casa, sem muita maquiagem e com os pés em cima de um sofá, soa como algo premeditado, o que é reforçado pelo conteúdo das declarações, que parecem retiradas de um programa de autoajuda.

Contando ainda com cenas inusitadas do universo da música, que são absurdas demais para terem sido encenadas (como a reunião em uma gravadora, onde todos ao redor de uma grande mesa balançam a cabeça no ritmo de uma música nova, enquanto teoricamente a avaliam), Beyoncé: A Vida Não é Apenas um Sonho só se salva por alguns comentários sobre os males do jornalismo de entretenimento e por algumas cenas de Beyoncé cantando, como aquela em que a cantora parece verdadeiramente emocionada durante uma performance intensa ou a apresentação cuja coreografia é sincronizada com a imagem de um telão - o que, provavelmente, eu poderia ter encontrado em um de seus DVDs já existentes e nos quais, espero, Beyoncé não surja reiterando insistentemente seu amor pela própria família.


Beyoncé: Life is But a Dream, EUA, 2013 | Escrito por Ilan Benatar e Ed Burke | Dirigido por Beyoncé Knowles e Ed Burke.

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