20 de abril de 2011

Crítica | Caça às Bruxas

Stephen Campbell Moore, Nicolas Cage e Ron Perlman em CAÇA ÀS BRUXAS (Season of the Witch)

por Eduardo Monteiro

Season of the Witch, EUA, 2011 | Duração: 1h34m23s | Lançado no Brasil em 28 de Janeiro de 2011, nos cinemas | Escrito por Bragi F. Schut | Dirigido por Dominic Sena | Com Nicolas Cage, Ron Perlman, Stephen Campbell Moore, Stephen Graham, Ulrich Thomsen, Claire Foy, Robert Sheehan e Christopher Lee.

Pôster nacional e crítica de CAÇA ÀS BRUXAS (Season of the Witch)
Utilizando mais uma das perucas que se tornaram quase um indício da má qualidade de seus filmes, Nicolas Cage é Behmen, um guerreiro que, em meados do século XIV e juntamente com seu parceiro Felson (Ron Perlman), já participou com sucesso de diversas batalhas ao longo dos anos (algo que o diretor Dominic Sena insiste em martelar na cabeça do espectador ao exibir a dupla em batalhas transcorridas em condições diversas, como no meio de um dia, à noite ou durante uma nevasca - além, é claro, de legendas com os anos em que cada uma ocorreu). Porém, quando uma de suas chacinas tem também como vítimas mulheres e crianças, os dois decidem abandonar o exército, mas acabam presos como desertores e enviados em uma jornada para encontrar um livro que pode acabar com uma peste que assola sua comunidade, resultado de uma suposta maldição de uma possível bruxa.

Com o objetivo de encurtar 600 km e deixar a viagem com apenas 2000 km (algo aparentemente desnecessário já que, mesmo sendo transportados por cavalos e carroças, em momento algum os personagens demonstram qualquer tipo de cansaço e a viagem parece se desenrolar de forma extremamente rápida), Behmen, Felson e a suposta bruxa recebem a companhia de um prisioneiro golpista que conhece bem o percurso, especialmente a perigosa floresta que se encontra no caminho. Fechada a comitiva, a hist... Não, espere! Se você acha que realmente a comitiva era formada por apenas 4 pessoas, você não tem visto muitos filmes ultimamente. Claramente objetivando ter uma galeria de personagens sem importância à disposição apenas para poder matá-los durante a viagem, juntam-se ao grupo um padre que sabe (quase) tudo sobre bruxaria, um guerreiro que - juro! - não me lembro de onde surgiu e, acreditem, um zé-ninguém  que se enquadra no clichê do jovem destemido e rejeitado pelo grupo, mas que ganha a confiança dos viajantes após salvar o dia.

Claire Foy em CAÇA ÀS BRUXAS (Season of the Witch)

Dono de uma habilidade que beira o sobrenatural e que o permite, por exemplo, bloquear dezenas de flechas com sua espada, Behmen é também um homem bastante espirituoso, o que permite que Cage solte piadas supostamente engraçadas sempre que o filme está exageradamente chato - o que acontece com assustadora frequência. Dessa forma, a trama se desenvolve de uma forma absolutamente desinteressante, limitando-se a acompanhar a jornada dos personagens enquanto eles enfrentam seus desafios. Dois, basicamente: uma enorme alcateia e - pasmem! - uma ponte de corda e madeira, obviamente podres. A ambiguidade do comportamento misterioso da suposta bruxa, que teria bom potencial para criar um suspense por deixar o espectador sem saber suas reais intenções, é terrivelmente mal explorado pelo roteiro e acaba sendo rapidamente descartado, já que em pouco tempo já é possível definir a natureza do seu comportamento.

É natural, portanto, que chegado ao 3º ato, já não haja mais conserto para o filme - e a revelação dos reais interesses que motivaram a viagem não só contradiz o próprio título do filme, como também estabelecem o Diabo como um burro colossal, já que seu plano é tão falho que anula imediatamente o caráter ameaçador daquele que é um dos maiores vilões da história. Como se não pudesse piorar, uma onda de assassinatos fáceis é seguida por uma onda de sacrifícios, que só não é totalmente desastrosa graças aos medianos efeitos especiais.

E nem mesmo a narração em off que acompanha os personagens remanecescentes caminhando em direção ao pôr-do-sol, numa imagem que tenta sugerir que a jornada foi grandiosa, parece perceber que toda a aventura não foi tão fantástica e heróica assim.

Ron Perlman e Nicolas Cage em CAÇA ÀS BRUXAS (Season of the Witch)